12.7.09
a várzea somos nós
13.3.09
sobre o curso de ciências sociais na uninove OU de como florestan fernandes debate-se na cova
enfrentei as multidões, passei lá e tomei nota. vestibular 15 r$, mensalidade 99 r$. preço promocional. de lançamento, digamos. no 2º ano já rola um diploma de formação superior em gestão de integração comunitária, seja lá o que isso queira dizer. “é pra ser tipo sociólogo”, diz a moça. a muito custo tive acesso a um programa do curso e soube que havia apenas 24 interessados – talvez a turma não fechasse. mas, na saída, uma questão me acompanhou: quem seriam os 24 pretendentes a sociólogos?...
é verdade, talvez tenham achado que o curso é de serviço social... talvez só queiram (e é natural) um emprego, já que a sociologia agora é obrigatória no ensino médio... mas de repente – não mais que de repente –, não poderia haver alguns jovens trabalhadores idealistas?
o que me fez lembrar que, há muitos anos, um menino muito pobre queria fazer ciências sociais. desde cedo ele teve que trabalhar pra ajudar no sustento seu e da mãe, dona maria, que era empregada doméstica. e ele foi engraxate, garçom, ajudante de alfaiate, de marceneiro... e sempre com a cabeça cheia de idéias.
o menino cresceu e fez o madureza (supletivo), estudou muito nas bibliotecas públicas e prestou vestibular. foi aprovado em 5º lugar. em 1941 iniciou sua graduação no curso de ciências sociais da faculdade de filosofia da USP, onde depois também faria o mestrado, o doutorado e se tornaria professor.
mas florestan fernandes não fez bonito só na vida pessoal. ele se destacou como intelectual militante e inaugurou uma nova tradição, a sociologia crítica. estudou a questão indígena, os problemas do negro brasileiro, os temas latino-americanos, a classe operária... e a universidade.
ff defendeu a democratização do ensino superior, mas não estava falando de ter uma faculdade em cada esquina. o aumento do número de vagas era na universidade pública – com uma educação crítica, humanitária, a serviço das lutas dos trabalhadores e do povo.
o que ff diria do curso da uninove? um curso de ciências sociais que mal dá noções de antropologia e ciência política? e que por outro lado oferece disciplinas para a gestão no terceiro setor e em políticas públicas? (esperava-se que pelo menos os cientistas sociais soubessem que a política, por conceito, é pública...)
se havia alguns idealistas entre os 24 interessados, quem sabe ainda não nos encontremos por aí...
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2.3.09
sábado 7/3 contra a FSP
16.2.09
menina princesa

1.2.09
a elite treme!
sábado, 7 do 2, a partir das 18h
no CDM jardim líbano (campo do sidoni f. c.)
30.1.09
yo quiero ser libre
21.1.09
poesia palestina de combate
registra-me
sou árabe
o número de minha identidade é cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono... virá logo depois do verão
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos arranco pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes...
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai... da família do arado
e não dos senhores do nujube
meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum
registra-me
sou árabe
sou árabe
cabelos... negros
olhos... castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo
o azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povoado perdido...
esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens... no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não os deixastes
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
escreve
bem no alto da primeira página
que não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas... se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado... cuida-te
de minha fome
e minha cólera.
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