12.7.09

a várzea somos nós


sacudindo a poeira desse blog, segue o link para o ótimo texto do meu namorado, pois sim! ele tem conseguido conversar com as palavras melhor do que eu. a reflexão aponta para o futebol de várzea enquanto fenômeno que vai na contramão dos negócios futebolísticos profissionais, afirmando-se por fora da lógica do capital em um verdadeiro exercício subversivo de sociabilidade.
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o texto integra uma série sobre futebol no site do coletivo luso-brasileiro passapalavra, que tem se proposto a disponibilizar notícias, artigos, debates, vídeos, áudios, tudo com uma perspectiva anti-capitalista e de apoio e defesa dos movimentos populares e dos trabalhadores.
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sei que sou suspeita para falar, mas vale a pena a leitura. o texto está muito instigante, rico e pode ser lido aqui.
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e adeus.
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13.3.09

sobre o curso de ciências sociais na uninove OU de como florestan fernandes debate-se na cova

a notícia me encontrou em frente à publicidade do metrô: a uninove abriria uma graduação em ciências sociais.

enfrentei as multidões, passei lá e tomei nota. vestibular 15 r$, mensalidade 99 r$. preço promocional. de lançamento, digamos. no 2º ano já rola um diploma de formação superior em gestão de integração comunitária, seja lá o que isso queira dizer. “é pra ser tipo sociólogo”, diz a moça. a muito custo tive acesso a um programa do curso e soube que havia apenas 24 interessados – talvez a turma não fechasse. mas, na saída, uma questão me acompanhou: quem seriam os 24 pretendentes a sociólogos?...


é verdade, talvez tenham achado que o curso é de serviço social... talvez só queiram (e é natural) um emprego, já que a sociologia agora é obrigatória no ensino médio... mas de repente – não mais que de repente –, não poderia haver alguns jovens trabalhadores idealistas?

o que me fez lembrar que, há muitos anos, um menino muito pobre queria fazer ciências sociais. desde cedo ele teve que trabalhar pra ajudar no sustento seu e da mãe, dona maria, que era empregada doméstica. e ele foi engraxate, garçom, ajudante de alfaiate, de marceneiro... e sempre com a cabeça cheia de idéias.

o menino cresceu e fez o madureza (supletivo), estudou muito nas bibliotecas públicas e prestou vestibular. foi aprovado em 5º lugar. em 1941 iniciou sua graduação no curso de ciências sociais da faculdade de filosofia da USP, onde depois também faria o mestrado, o doutorado e se tornaria professor.

mas florestan fernandes não fez bonito só na vida pessoal. ele se destacou como intelectual militante e inaugurou uma nova tradição, a sociologia crítica. estudou a questão indígena, os problemas do negro brasileiro, os temas latino-americanos, a classe operária... e a universidade.

ff defendeu a democratização do ensino superior, mas não estava falando de ter uma faculdade em cada esquina. o aumento do número de vagas era na universidade pública – com uma educação crítica, humanitária, a serviço das lutas dos trabalhadores e do povo.

o que ff diria do curso da uninove? um curso de ciências sociais que mal dá noções de antropologia e ciência política? e que por outro lado oferece disciplinas para a gestão no terceiro setor e em políticas públicas? (esperava-se que pelo menos os cientistas sociais soubessem que a política, por conceito, é pública...)

se havia alguns idealistas entre os 24 interessados, quem sabe ainda não nos encontremos por aí...


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2.3.09

sábado 7/3 contra a FSP

[clique para ampliar]


em editorial do dia 17/2, a folha de são paulo sustentou que o período da ditadura no brasil, em comparação a outros regimes na américa latina, apresentou "níveis baixos de violência política e institucional". o texto chega a chamar o período de "ditabranda".
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nada que admire a um grupo editorial que emprestava as peruas da redação para levar gente que seria torturada no DEOPS...
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centenas de cartas foram enviadas à FSP, entre elas as de maria victória benevides e fábio konder comparato, intelectuais, que saíram em defesa dos agredidos e foram solenemente avacalhados.
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considerando que já passou da hora de dar uma boa prensa na família frias, circula pela rede uma convocatória (lançada pelo blogueiro eduardo guimarães) para um protesto contra a postura reacionária da FSP e em solidariedade aos professores.
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é preciso denunciar a relação indecente e promíscua de jornalistas pretensamente "independentes" ligados à direita mais suja do país.


todos ao ato!
sábado 7/3, a partir das 10h
no prédio do grupo folha
r. barão de limeira, 425, próx. metrô república


para assinar a petição de repúdio à FSP é só clicar aqui.
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16.2.09

menina princesa


ali, naquela viela
existe uma princesinha triste
ela está chorando
porque estão chamando seu cabelo
de palha de aço.

ali, naquela viela
a princesinha chora
por não querer ir pra escola
ela diz não ter amiguinhos
e que a professora
sempre a deixa de castigo.

e ali, mais uma vez
a princesinha vai chorar
ela pede a Deus
que lhe dê cabelos lisos,
olhos azuis e pele branca
seria igualzinha as "lindas princesas brancas"
dos contos de farsas

oh, menina princesa!
enxergo em você tanta beleza
seu cabelo trançado é realeza
sua pele cor da noite
é linda, tenha certeza
seu sorriso é luz
contagia minha alma
seus olhos, que não são azuis
me transmitem calma

oh menina princesa!
sim, você é princesinha
nossas histórias encantadas
foram apagadas
mas você relatará um dia
bela menina dos olhos de jabuticaba
não ligue para quem te faz chorar
são pessoas que ainda não sabem
que somos realeza

menina negra
de linda beleza
você sim
é uma princesa.


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raquel almeida é escritora e dedicou às suas sobrinhas essa poesia, que foi publicada no livro duas gerações sobrevivendo no gueto [edições elo da corrente]
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1.2.09

a elite treme!

(clique para ampliar)

sábado, 7 do 2, a partir das 18h
no CDM jardim líbano (campo do sidoni f. c.)
r. josé queiroz dos santos, 163
próx. ao terminal e estação de trem pirituba

participação dos saraus fortes da quebrada
- elo da corrente e poesia na brasa
é tudo nosso! é só chegar!

30.1.09

yo quiero ser libre

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nosotros solos, no somos nada.
nosotros unidos, somos fuertes.
y nosotros fuertes, queremos ser libres.
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21.1.09

poesia palestina de combate

carteira de identidade
[mahmoud darwich]

registra-me
sou árabe
o número de minha identidade é cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono... virá logo depois do verão
vais te irritar por acaso?


registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos arranco pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?


registra-me
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes...
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai... da família do arado
e não dos senhores do nujube
meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum


registra-me
sou árabe
sou árabe
cabelos... negros
olhos... castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo
o azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povoado perdido...
esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens... no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?


registra-me
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não os deixastes
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
escreve
bem no alto da primeira página
que não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas... se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado... cuida-te
de minha fome
e minha cólera.

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